sábado, 29 de dezembro de 2012

De dentro para fora...

Mais um dia, um dia normal, um dia como os outros dias de 24 horas, de acontecimentos uns atrás dos outros. Mais um dia, igual aos outros dias, porque todos os dias têm momentos iguais, como se se repetissem e nos dissessem que temos aquele tempo, aquele espaço: um dia para mudar tudo. Tudo não porque a permanência das coisas é imutável e isso faz com que nada seja completamente diferente. Mudar o quê? Mudar. Mexer o quê? Mexer. Às vezes é só isso e quebra-se alguma coisa que teimava em não sair de nós, em não ser sacudida pela mudança. Mudar permanencendo sempre fiel a nós, aos nossos princípios, aos nossos sentidos, aos nossos sonhos.
 
Ninguém disse que isto era fácil, mas com o tempo acabamos por nos acomodar, como aquele sofá que já tem o formato do nosso corpo, como a almofada que tem o sítio da nossa cabeça, como aquele sentido que se procura e não se encontra no que se faz todos os dias. Mudar é algo que requer uma condição principal, mudar-nos a nós próprios. Não se consegue mudar nada, se não se mudar por dentro, essa é a verdadeira mudança. Depois essa mudança transborda, cresce, vive por si porque se torna demasiado grande para se conter. A verdadeira mudança vem de dentro para fora e aí sim acontece.
 
A vida é o que quisermos, o que conseguirmos, o que decidirmos que ela seja! A vida é o que desenhamos no nosso horizonte escolhendo que nos afete apenas naquilo que deixarmos ou quisermos. Não dominamos a vida, dominamo-nos a nós próprios. Tudo o que na vida nos escapa reflete o que de dentro não conseguimos perceber, buscar, entender...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Não, não estou

Não consigo estar, não me apetece estar. Estou de férias, ou de baixa, ou de fora, ou sem estar. Digam que não estou. Estou debaixo do cobertor, debaixo da almofada, atrás do sofá, coberta com uma manta e sem o rabito a aparecer. Sou um cão, escondido com o focinho, mas de cauda a abanar, à espera da surpresa. Sou o raio de sol atrás de uma nuvem a espreitar, sou o lápis escondido na gaveta que toda a gente vê, mas já não precisa de usar.
 
Não não estou, fui viajar, fui passear, fui à procura de mim. Perdi-me no meio do caminho, perdi-me a caminho, perdi-me e não me consigo encontrar. Não. Estou numa licensa prolongada e volto um dia qualquer, talvez.. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aprendendo

Todos os dias há uma nova oportunidade para evoluir. O mundo gira e parece que nos roda num turbilhão. No entanto as escolhas estão feitas e vão muito para além do que possamos perceber à luz do nosso ténue entendimento humano.
 
Todas as manhãs nasce o sol, o planeta gira, o vento sopra (umas vezes brando e parecendo não estar presente, outras vezes feroz e chamativo) e depois de algumas horas escurece, não deixando entrever o que acontecerá no dia seguinte. Esse recomeço, cheio de incertezas, mostra como é frágil a nossa condição e como não sabemos nada de nada sobre a vida. Mas, no meio de tudo isto, mora a magia, a eternidade de um dia atrás do outro para sempre a girar... Todos nós percebemos que o mundo se mexe e move, independentemente da nossa presença. Quer estejamos prontos ou não o sol nasce e põe-se e uma sucessão de 24 horas passa por nós.
 
Enfim, o que tenho é um sentimento de eternidade, de pertença a algo maior e de universo feito num frágil corpo cheio de limitações. O desafio é melhorar, trabalhar a sombra que espreita e nos abafa e nos invade. Sonhar, seguir o sonho, perpetuar o horizonte e mantê-lo bem perto, bem próximo do coração.
 
 Quero diminuir, ficar do tamanho de um grão de areia para poder ter real noção do meu papel na engrenagem e da minha alma de criança; simultaneamente quero crescer e ser do tamanho da minha altura, do tamanho do meu sonho e das pessoas que quero tocar com ele. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ser...


Como uma nuvem, que passa entre os raios do sol e sorri, quase transparente; que descarrega com toda a força quando não aguenta mais e faz carregado o céu e molhados os caminhos… Como uma nuvem que é mais forte quando está acompanhada e mais fraca e etérea quando está só. Carrega segredos que ninguém vê porque é transparente, mas cheia de mistérios, forte, mas de aparência frágil, dócil e suave, mas cheia, plena.

Como uma nuvem que descarrega e jorra e grita… Cheia de tudo, cheia de nada. Num momento cala e no outro troveja e relampeja… Lava, purifica, preenche, fertiliza, cobre, esconde, projeta, faz brotar!

Como a nuvem que aparece do nada e se mostra e se revela… E de novo se esconde para aparecer, talvez noutro dia, talvez noutra hora, talvez noutro lugar…

domingo, 14 de outubro de 2012

Atitudes e palavras, atos e omissões...

Sou livre de viver a minha vida como qualquer pessoa adulta, de fazer as minhas escolhas, de estar com as pessoas com quem eu quero estar, de fazer as atividades que me apetece fazer, de interagir com verdade e transparência com toda a gente e de perceber qual é o meu lugar neste mundo e quais as minhas funções.  Sei que essa liberdade existe, vejo-a ao meu lado todos os dias. Ela grita na minha cara, samba ao pé do meu rosto e bate-me a porta sem me deixar sequer saber o que me aconteceu.
 
 Nascemos e morremos sós e as escolhas que fazemos ao longo do caminho vão moldando o nosso futuro sem que saibamos sequer quando é que começámos a escolher. No entanto, dizem os livros, a qualquer momento podemos mudar e virar a vida do avesso; podemos dar uma volta de 180 graus e voltar ao ponto de partida, outra vez adolescentes, outra vez inflamados pela vontade de viver. Esta é a beleza da vida e nela reside o mistério de podermos ser fieis à única coisa que detemos, a nossa consciência.
 
Atitudes e palavras são cada vez mais minhas, à medida que o tempo passa porque digo o que penso e faço o que digo, sem receios de pertencer a uma casta diferente da que norteia toda a sociedade. Cansei de ser consensual e prefiro ser verdadeira e justa para comigo e para com todos os outros. Vivo todos os dias ao lado da verdade e sei o que custa ser frontal e justo, e vejo o que demora a construir uma existência assim. Aprendi e aprendo muito, de forma dedicada e simples; humilde e abnegada.
 
Atos e omissões tento equilibrá-los, mas confesso que ajo mais movida do que motivada e por isso as omissões são sempre do lado das minhas necessidades. A vida é um caminho e eu continuo  a trilhá-lo com orgulho, ao lado dos que eu amo, sempre cheia de entusiasmo. Porque a vida é assim um mar de escolhas num oásis de entrega e amor.
 
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Curvas e contracurvas...

Nos corredores da vida, enquanto nos cruzamos uns com os outros e conhecemos histórias de vida e personalidades, vamos percebendo que temos de fazer escolhas a todo o momento. Temos de contribuir com palavras, com atos, com olhares, com alma em tudo o que fazemos. Daí que o primeiro compromisso assumido seja connosco mesmos, com o nosso bem estar. Estranho? Não, de todo. Por vezes achamos que ser bom é ser alguém que se anula em função das situações que vai encontrando na vida e que lhe parecem mais importantes do que o seu bem estar. Mas isso transmite-se, respira-se e envenena-nos; a nós e a todos os que convivem connosco no dia a dia de uma vida agitada.

O tempo, a passagem do tempo é tão nossa amiga, cada vez mais sinto isso! Nos sulcos que acumulo na minha pele vejo escrita a experiência e a naturalidade de quem tem ânimo para evoluir, mas a segurança de quem não tem medo de errar, de dizer não. À medida que o tempo passa vão surgindo situações que nos colocam diante de decisões importantes e todos os dias devemos escolher ser verdadeiros e deitar a cabeça na almofada e dormir serenos porque não mentimos, nem enganámos ninguém.

Acredito na verdade, na integridade, na amizade, no amor, na entrega, na dedicação, na eterna aprendizagem. 

sábado, 29 de setembro de 2012

Liberdade(s)

A liberdade é um princípio fundamental na construção da felicidade para qualquer ser humano. É essencial para que possamos ser completos e únicos na nossa conceção de vida e no nosso coração. Por isso mesmo é que nos sentimos renovados com o vento a soprar no rosto, estimulados com o som do mar a bater nas rochas e verdadeiramente inspirados pelo canto das aves, livres e felizes...
Muitas vezes não percebemos o quanto é valioso o amor em liberdade e tentamos aprisionar os momentos, as pessoas, os afetos dentro de uma caixa fechada a cadeado e escondida da claridade. Isso não é amor, isso não é liberdade, isso não traz felicidade. A vida é uma aprendizagem e todos subimos devagarinho o caminho que nos leva a todas as metas.
Eu amo cada minuto da minha caminhada, cada escorregadela, cada tropeção e cada fraqueza, pois é assim que fico forte. O meu coração encontrou a felicidade suprema e vive a transbordar de tanta alegria, porque tem ao seu lado um coração que brilha a cada batimento do meu e que acompanha a minha caminhada. O meu coração tem outros corações dentro que batem em uníssono e sem ritmos desencontrados.
Cabem no meu mundo emoções e pessoas e momentos e segundos de eternidade. Cabem no meu mundo gratidão, verdadeira amizade, dedicação, verdade...
Gravados no meu peito estão o meu amor para sempre e todas as estrelinhas lindas que fui, vou e irei encontrando por este caminho livre e leve de felicidade(s) Amar é deixar livre para voar, porque com o vôo daqueles que eu amo eu sou feliz, porque estejam onde estiverem pertencem e a pertença fica entranhada na pele, verdadeira e genuína, à prova de bala, à prova de tudo...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Crianças...

Poucas vezes me questionei sobre o valor e a importância das crianças na nossa vida; há uma magia que é ativada pelo contacto com as crianças, um botão que se liga quando elas riem sem parar, uma vida nova que se descobre escrita nos seus olhos e que nos dá a certeza de como a vida é fácil e simples quando se concentra no essencial. Nada faz tanto sentido como partilhar a vida com elas e a nossa criança interior, aquela que continua viva e frágil dentro de nós, aparece e vem brincar...

Nos problemas e dilemas da vida a atitude a adotar é-nos ensinada pelas vidas de esperança que não olham para trás; pelos momentos intensos que duram para sempre e pela sede do amanhã que traz sempre novas aprendizagens e novos desafios. Podemos acreditar hoje, viver hoje, aproveitar agora. O amanhã é sonho e quimera que se planeia e vive como uma vida inteira dentro de 24 horas...

O agora é tudo o que temos, é tudo o que podemos ver e sentir e ouvir. Eu sou agora o que semeei ontem e vou colher amanhã. Tenho um contrato com a vida assinado há 36 anos, com termo incerto e sem direito a adendas... Esse é o meu legado. As minhas pegadas não são na areia, são no coração das pessoas e na minha consciência. Tudo o que eu faço, digo ou escolho fica para sempre...

A criança está feliz, saciada e feliz, alimentada e feliz, sempre criança...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

É hora!!

De todos os lados, a todas as horas nos cruzamos com crises e problemas, nestes tempos conturbados sinto que todos nós estamos envoltos num problema global que cada vez mais se alastra e se pega e por vezes parece que não tem fim. Tudo parece estar contra nós e a nossa força é constantemente posta à prova, testada, instigada. Mas surge também o fio que nos agarra e nos mantém.

Li um dia uma história que dizia que um homem com muitos problemas e uma vida bastante perturbada foi desafiado na hora final. Ao chegar ao céu disseram-lhe:

- Tiveste uma vida difícil e bastante perturbada, mas tiveste muita gente que te amava. Por isso vou dar-te uma oportunidade, agarra-te a este fio e sobe que terás a felicidade eterna.

o Homem ficou perplexo, porque o que ele tinha diante dele era um fio de uma teia de aranha.

- Como posso agarrar-me? perguntou indignado... Assim que o peso do meu corpo se agarrar àquele fio eu vou cair desamparado. 
- Confia, disse-lhe o anjo, e tudo vai correr bem. Tens de acreditar no teu coração e com todas as tuas forças.

E assim foi, o homem respirou fundo, olhou bem no seu interior e acreditou. O fio ia-se tornando mais forte à medida que ele relaxava e acreditava e quando ele finalmente chegou, ao olhar para trás ele viu que não estava sozinho e que aquele fio que ele agarrara trazia consigo todas as pessoas que o amavam. Acreditou e conseguiu com toda a coragem que o fio frágil da aranha fosse a solução.

Esta é a história da vida, da de todos nós. Quando o fio da aranha nos parece demasiado frágil, só temos de fortalecê-lo com o coração, em breve será uma poderosa corda, de uma maravilhosa ponte que nos leva daqui à felicidade, à eterna felicidade.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Caminhando...

Todos os dias a vida começa outra vez dando-nos minutos preciosos que nos permitem alterar o curso dos acontecimentos e fazer escolhas. Escolher nem sempre é fácil, aliás, na minha opinião o maior desafio do ser humano é caber-lhe a ele escolher. Pode ser a cor do carro, o sabor do gelado ou a cor do cabelo, mas também temos de estar atentos a perceber se escolhemos bem os caminhos, se tomamos os atalhos e que coisas guardamos.

Todos os dias guardamos lixo no sítio mais precioso que existe, no coração. Esse lixo vai-se acumulando e intoxicando a nossa vida de forma lenta e silenciosa; às vezes é uma atitude de que não gostámos, outras vezes uma frase que nos magoou; há dias em que colecionamos malentendidos e tudo isso nos vai sugando vitalidade e inocência e nos vai afastando do que é real.

O mal corta-se pela raiz antes que volte a eclodir, escava-se e limpa-se bem, coloca-se um desinfetante potente e irradica-se de vez. Uma vez limpo, podemos voltar a brilhar e o amanhã toma outro rumo, um rumo livre que permite um renascimento real e puro.

Todos podemos renascer, purificar e melhorar, a escolha é nossa. Infelizmente a podridão continua a arrastar alguns que como disse Saramago "temos de sair de nós próprios para saber quem somos" mas há alguns que não o fazem e não vêem. Cada um é uma ilha, mas para ver a ilha temos de sair dela...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

(Im)perfeição

Exigentes todos, cada vez mais, porque temos de ser, parecer, atingir, procurar. Exigentes porque sim e porque não. Todos nós temos incutida, desde sempre, a procura da excelência e da perfeição. Isto é contra natura, uma vez que todos nós somos, por definição, imperfeitos e, por isso mesmo, perfeitos. O ser humano deve procurar aperfeiçoar-se, claro! Mas a perfeição atingível é a perfeição de sentimentos, de atitudes, de metas atingidas, de preserverança e de esperança. Nunca a perfeição física ou social. Fisicamente somos especiais por sermos diferentes, por termos todas as cores, tamanhos, feitios e formas.

Todos somos bonitos e imperfeitos ao mesmo tempo. Temos um nariz, uma anca, um cabelo, uma ruga, um olhar que gostaríamos de mudar. No entanto, para quem nos ama são precisamente esses traços que nos tornam únicos e nos distinguem na multidão. É assim que queremos ser recordados por quem nos ama: únicos e imperfeitos.

Tudo o que os outros têm é desde cedo comparável connosco: o momento de começar a falar, a andar, as notas, a criatividade, os amigos, a profissão, o percurso e a lista nunca mais acaba. Vivemos numa sociedade ditatorial que nos diz o que é bom e bonito, ainda que falso e artificial. Cabe a nós aceitarmos ou mudarmos essa predisposição para o que é naturalmente diferente e bonito de uma forma analítica e racional.

Ser bonito é ser diferente, é ser verdadeiro, é ser fiel à nossa essência...


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Waiting...

Esperar é talvez das piores coisas para quem vive de ansiedades. Esperar significa parar e parar é muito dfícil num mundo que gira demasiado depressa. Num momento de incertezas há elementos que se concentram para mostrar a sua importância e essa é revelada a cada minuto, se fizermos silêncio. É difícil perceber os caminhos e encontrar certezas, mas nada acontece por acaso e o caminho é de certo favorável para o que precisamos de realizar. Navegando conseguimos encontrar a rampa, o sentido, o luar.

Limpa

Chuva que cai e tinta que sai em pingos grossos, deixando-te limpa e pura, como da primeira vez, como uma tela ávida de novas pinturas, novos fôlegos, novos projetos. Como um novo querer, uma nova chama que arde e te queima por dentro até tu arrancares e te deixares levar. Um cântico, um hino à vitória da mudança, da novidade, do fazer acontecer.
Limpa, como uma folha em branco pronta a ser escrita e revista, reinventada e reciclada, por ti, só por ti. Vida fresca, energia renovada, ar puro, vontade de respirar de novo, sonho...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Porque não...

Todos os dias há momentos sagrados em que te escondes do mundo e voltas a fazer os mesmos erros e acartar as mesmas preocupações. Basta de te esconderes e fazeres um muro de inércia à tua volta, basta de quereres acreditar que não podes, não consegues, não és capaz. O céu é o limite e dele não se vislumbra um fim. O horizonte da tua vida é como o fim do mar, imagina-se, mas não se vê. Às vezes parece longínquo e apresenta-se bem perto; outras vezes conta-se que esteja logo ali e ainda demora. Nunca sabemos como, nem quando, nem porquê, mas de alguma forma o nosso destino está nas nossas mãos, todos os dias, em todas as escolhas. Das mais simples às mais complexas estás a construir todos os dias, a todas as horas, o teu destino, a tua vida. decide o que queres, avança e traça uma linha. O futuro começa agora, neste instante. Constrói-te construindo as tuas atitudes de forma pensada e estruturada.

 Não vivas porque sim, vive porque não:

Porque não queres ser  mais um cordeirinho;
Porque não queres sentir que a vida te foge;
Porque não queres viver o que os outros decidiram;
Porque não és dono de ti e queres retomar as rédeas;
Porque não estás feliz e queres ser feliz profundamente, todos os dias.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pintora

Foi-me entregue uma tela em branco e meia dúzia de pincéis. Foi-me dito que se pintasse bem receberia mais cores e mais pincéis. Comecei a obra e entusiasmei-me porque havia desenhos muito bonitos; as paisagens sucediam-se a toda a hora cheias de vibrantes cores para reproduzir. Depois comecei a duvidar que as minhas pinturas fossem realmente bonitas, não havia lá assim muita gente a ver e eu sentia-me sozinha no meu gosto e forma de estar. Procurei o silêncio e acabei por me isolar não recebendo nem novos ensinamentos, nem orientações definidas. Já não recebia tantos pincéis e as cores repetiam-se escolhidas por toda a gente, menos por mim. Revoltei-me e mudei de atelier. Encontrei novas paisagens, recebi novos pincéis e conheci outros pintores. Acreditei. A seguir consegui respirar novas correntes e encontrei um oásis. Assentei junto dele e fiquei com eternidade. A eternidade que se sente e se respira e se constrói. Quero pintar, quero assinar telas. Sou aprendiz, mas isso serei sempre, quero ser sempre. Quero existir de forma consistente e concreta. Não quero não ser. Não quero o vazio.

Sou daquelas pintoras que pintam por inspiração e que guardam o tema para descortinar depois. Quando reparo já alguém decidiu o tema e eu cumpri, sigo ao sabor do vento, sem que eu sopre vento para alguém. Eu sou a que segue ao sabor do vento, não a que faz vento. Sinto-me feliz assim, mas sempre? Sempre é muito tempo...

Quero sentir o sol, quero ser o sol, quero que o sol more em mim...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Procurando...

Muitas vezes se fala em procurar, procuro ser feliz, procuro ir andando, procuro trabalho, procuro alguém, procuro uma casa, .... Procuramos tanto, mas será que procuramos mesmo?
A palavra indica que estamos atentos, dispostos, preparados e alerta. Mostra que estamos ativos e proativos e que fazemos desta busca um trabalho a tempo inteiro, mas, na realidade, a maior parte das vezes nós não procuramos, queremos é ser encontrados...

Não sabemos bem como, nem quando, mas é tão mais fácil se alguém miraculosamente nos encontrar... Esperamos ser resgatados, e salvos como na história da bela adormecida ou da Branca de neve. Quem nos dera que o príncipe fosse persistente e quisesse salvar-nos, mesmo pensando que já tínhamos morrido, como na história da Branca de neve...

Todos queremos muito ser felizes, mas infelizmente isto já não é o conto de fadas em que tudo se resolve como por magia... por vezes, ou muitas vezes, é necessário lutar muito para que essa felicidade se materialize e se torne a nossa rotina diária. Lutar com um sorriso, sorrir quando apetece chorar, acreditar quando tudo está mal, mesmo mal. Qual o valor de ser crente quando tudo nos corre bem? como podemos valorizar as nossas qualidades de paciência e tranquilidade se nada acontece para nos chatear? Descobrimo-nos na adversidade, na tristeza, na crise. Isso torna-nos mais fortes e mais felizes, quando estamos felizes. Só se valoriza o que se perde. Ter momentos tristes potencia os momentos de felicidade e torna-os mágicos e brilhantes de uma forma toda nova e toda especial.

Depois, como que por magia, as pessoas vão-se revelando e mostram realmente toda a sua beleza e generosidade. Abrem-se como botões para nos acompanharem. Espinhos? também há, mas esses têm o seu próprio destino... :)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Começar

Importa começar, sem dúvida! Mesmo que não saibamos o caminho, ainda que seja difícil, é preciso iniciar e esperar que a cada passo o desenho ganhe forma e os nossos passinhos tomem proporções de gigante. Ninguém sabe como, quando ou de que forma vai ser o próximo capítulo, mas importa dizer que quanto mais luz tivermos no coração, mais livres e mais centrados estaremos.

O sol está no coração e temos de imaginá-lo assim a nascer dentro do peito, quente, intenso, escaldante e sempre pronto a dar-nos o que precisamos. Depois há o vento que nos empurra quando estamos reticentes e nos indica o caminho. A chuva acorda-nos e fustiga a nossa vontade de crescer, florescer e ser sempre mais. Os restantes elementos vão sendo apresentados, não consoante a nossa vontade, mas consoante a nossa necessidade, aquela que nós desconhecemos, mas que é certa e conhecida por alguém.

Não há guião, o que parece louco, quem se atreveria a fazer uma história sem ter um guião? Mas por isso mesmo, esta história da nossa vida nos enlouquece nos tortura por vezes de ansiedade. Não sabemos o rumo da nossa história, nem tão pouco a forma como devemos agir. O coração, com o sol lá dentro, indica o caminho...