domingo, 16 de outubro de 2011

Ouvir

Num mundo em tumulto e numa permanente mudança, os nossos hábitos foram acompanhando os tempos e permaneceram inalterados. Deixámos de fazer honrar os nossos compromissos connosco e passámos a viver num mundo louco, submetidos à vontade de todos, menos à nossa. Neste nosso  "novo" mundo quem manda são... os outros. E nós, fiéis cordeirinhos, seguimos as tendências e fazemos coro.

Ao ficarmos reféns dos outros habituámo-nos a fazer deles também nossos prisioneiros e prisioneiros das nossas opiniões, gozos, comentários, juízos de valor, etc. Nós, simples marionetas no jogo do fica bem, parece mal, começámos a acreditar que de alguma forma tínhamos que emitir juízos sobre tudo e sobre todos, sem que isso nos batesse na testa e nos empurrasse para o facto lógico de que o que fazemos, cai em nós. Boomerang.

Dois ouvidos, uma boca: facto da natureza incontestável e incontornável. Então... falemos menos e ouçamos mais. Ouvir não, escutar. Abrir o coração e interiorizar. Desta forma todos os disparates dos outros nos vão bater mais fundo, verdade. Mas também todas as nossas palavras vão ser mais conscientes e mais grandiosas. Por percebermos o valor das palavras, vamos torná-las mais verdadeiras, mais refletidas, mais fraternas. Vamos fazer do silêncio nosso aliado e vamos usá-lo quando as palavras forem demasiado duras ou a mentira demasiado tentadora. Calados, mas abertos, atentos, conscientes, vamos conseguir ser ouvidos de uma forma realmente valiosa, porque a palavra vai existir, quando realmente chegar a hora dela.

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