Existe uma ténue fronteira entre o certo e o errado, o que guardas e o que expões, o que está correcto e o que parece estar incorrecto, entre o que podes e não podes partilhar. Muitas vezes sinto que estou a pisar ovos e que cada vez que atravesso a estrada eles, se tornam mais frágeis e mais instáveis. Não consigo decidir que ovos pisar, nem consigo compreender como os pisar sem os fazer estalar.
O caminho foi traçado por mim, mas nos enfiamentos, curvas e contra-curvas vou encontrando pessoas que me acrescentam significado e aumentam os meus conhecimentos. Muitas vezes, e mais dantes do que agora, eu construía os meus relacionamentos em cima do muro, de forma a agradar a Gregos e a Troianos, sem ser verdadeira nem comigo, nem com os outros. Agora recuso-me a isso, mas tenho de pagar o preço...
Pergunto-me se vou caber nesta sociedade; pergunto-me se consigo arranjar o meu espaço, depois de 35 anos a rumar numa direcção e agora querer rumar noutra. Nada disto é fácil ou linear, mas no fundo é disso que são feitos os sonhos, de incertezas e de construcções etéreas. Acredito que quero um modelo mais justo e mais puro de relacionamento; quero viver num mundo de verdade e de frontalidade.
O problema é que a mentira é doce e suave e aproxima-se rastejante como uma serpente. Vem sem fazer nenhum ruído, macia e hipnotisante. Diz-te exactamente o que queres ouvir e soa dourada e doce.
A verdade é cortante e impiedosa, sem rodeios e cheia de rugosidades. Transforma-te e marca-te, mas nem sempre é absoluta, isto é, a tua verdade não é necessariamente a verdade do outro. Por isso podes ferir com a tua verdade e podes ser ferido pela verdade do outro.
Os mundos paralelos em que vivemos tocam-se e muitas vezes repelem-se, por muito que queiramos aproximar-nos. Porquê? Como? Quero caber...
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