segunda-feira, 3 de maio de 2010

A sinfonia do vento

O vento sopra nervoso hoje, vai com muita pressa para lado nenhum; atropela-me no caminho e eu peço desculpa por estar ali, não sabia que o vento precisava de passar... O vento sopra nervoso hoje, vai de rompante e tira a ordem das coisas desordenadas, faz com que tudo se vire ao contrário e revele a verdade no que é programado... O vento quer passar, o vento quer perguntar quantas das nossas tralhas precisam de ser remexidas; quanto do nosso tempo passa sem que arrumemos as nossas memórias, aquelas coisas que estão no fundo da gaveta, já um pouco amarelecidas...

O vento sopra nervoso hoje... passa a correr pela rua e nem dá por mim, eu sigo a passo lento, como quem vai e não tem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo. Há poucas coisas que me apressem, mas o vento... O vento mexe comigo, mexe em mim, remexe-me as entranhas. Quando há vento eu deixo que ele sopre dentro de mim e entrego-me à confusão do seu turbilhão; mexe nos meus cabelos, entra-me pelos ouvidos, abraça a minha boca e instala-se no meu coração. Quando aí chega é o caos, sentimentos para um lado, medos para o outro, certezas para baixo, dúvidas para cima e no meio a confiança de pernas para o ar com o nariz colado à hesitação.

O vento está tramado, ou estou com ele... O vento está ansioso por passar a mensagem, por chegar a todo o lado, digam a todos que o vento passou e deixem-no entrar que ele quer ajudar... O vento vai passar...

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