E quando começamos a pensar em tudo e mais alguma coisa e de repente, sem que nada o fizesse prever, estamos chateados? Nunca vos aconteceu fazer mau uso de um dos bens mais preciosos (o tempo) e darem por vocês a pensar em mil e uma coisas que vos faltam? Em quinhentas palavras que podiam ter dito e não disseram? Em seiscentas e trinta ocasiões que perderam para estar calados? Pois é, eu às vezes tenho desses momentos e tudo começa com um pensamento banal, daqueles do género, hoje não estou com muito boa cara, ou o almoço não estava nada de especial; ou então o típico: não me apetece nada ir trabalhar, quem me dera estar de férias e de repente, quase que tenho de parar para chorar com pena de mim... Que diabo!!! Eu que lido com tanta gente que não vai trabalhar porque está desempregada; que não se olha ao espelho porque há muito tempo que isso deixou de contar, que não pensa no sabor da comida porque não tem o que comer ou porque não pode apreciar.... Que vergonha!!
A verdade é que a grande maioria de nós é assim e acaba por teimar em queixar-se, quando a única atitude decente que tem de ter é agradecer; a verdade é que ninguém suspeita como é bom acordar e tomar um banho quente, quando há muita gente que passa a noite com a chuva a cair-lhe em cima. Tudo parece não contar para nada mas quando, no entanto, alguém fica doente, ou triste ou infeliz. Quando alguém que nós amamos não está, não sente a felicidade, nós perdemos o tapete e deixamos o que é superficial...
O teu bem estar é um conjunto de coincidências e de permanências, de eternidades e de momentos felizes. O teu bem estar passa a ser o bem estar do outro, a alegria do outro a felicidade do outro, o teu bem estar é o meu gofre com gelado...
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