Cada minuto que passa é mais uma eternidade no conjunto da nossa vida e é menos um que vivemos e gozamos no cimo deste planeta. A cada minuto que passa morremos um bocadinho e vivemos algo mais. Nesta trajectória, ao mesmo tempo tão curta e tão demorada, nós vamos encontrando algumas oportunidades de viajar ao interior de nós mesmos e avaliar os resultados das nossas acções. A direcção é assumida por nós como um caminho difícil e sinuoso, mas cheio de possibilidades que nos permitem encontrar, de quando em vez, pessoas nobres e valiosas.
O silêncio é difícil, quando o grito se impõe. Mas, mais importante do que condenar o grito é analisar porque é que ele acontece. Muitas vezes o maior grito dá-se, não para os outros, mas para nós próprios, para ecoar dentro de nós. Há algo que nos atrofia, que nos derrota que nos atordoa... No entanto,nós fazemos o mesmo que faríamos àquela pêra que começa por ter só um cantinho tocado; bastaria cortá-lo e comê-la, pois assim ainda seria boa e não contaminaria as outras. Mas.... agora não posso, não tenho tempo... amanhã.... e amanhã já não é só um bocadinho, é metade e nós a olhar para a pêra... e o tempo a não deixar... e depois já não é só uma pêra, são três peras e uma maçã... e o tempo e a inércia e a preguiça e em breve a fruteira está toda contaminada e já nada podemos aproveitar. Bastava ter cortado o cantinho da pêra e tê-la comido. Ainda seria boa e não teria contaminado as outras...
O interior tem piores estradas e é menos acessível, tem paisagens lindas, mas não tem o bulício, o movimento, o apelo do litoral... Também assim é o interior de cada um de nós; às vezes os acessos são tão maus que se torna difícil lá chegar, mesmo para quem conhece todos os recantos, como é o nosso caso. Por isso, vamos deixando para trás essa viagem e vamos lentamente concentrando-nos no que é litoral, apelativo e aparente em nós, em vez de irmos atrás do que é essencial e realmente importante.
boas viagens...:)
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